O ciclismo é uma modalidade extremamente versátil e, por isso, existem vários tipos de competições. Entre eles, está o ciclocross ou cyclocross, uma modalidade “próxima” ao MTB e ao ciclismo de estrada, mas com características bem peculiares.

Ainda não conhece o ciclocross? Saiba tudo sobre o assunto neste post!

O que é ciclocross?

Ciclocross, cyclocross, CCX, CX, cyclo-x ou apenas cross. Todos esses são nomes de uma modalidade do ciclismo disputada, geralmente, no inverno e outono no hemisfério norte. As provas consistem em realizar várias voltas por um circuito de 2 a 5 km, com terreno complicado, com galhos, areia, lama e grama.

Além disso, o trajeto conta com uma série de obstáculos artificiais, como barreiras e escadarias, que não costumam estar presentes em outras modalidades de MTB.

Não é incomum, durante uma prova de ciclocross, vermos os ciclistas empurrando as bikes ou carregando-as nos ombros. E isso se deve, principalmente, ao elevado nível técnico dos trajetos.

A modalidade, embora seja bem difícil, conta com vários fãs e praticantes em diversos países, especialmente na Bélgica (onde tem mais destaque), Holanda, França, Canadá, Alemanha, Suíça e Estados Unidos.

Podemos perceber que o ciclocross é uma modalidade completa, pois, para vencer os desafios, o ciclista precisa usar conhecimentos e técnicas do mountain bike, cross country e de várias outras provas de ciclismo.

Como surgiu?

Não há um consenso sobre a origem da categoria. A versão mais aceita é de que os ciclistas europeus de pequenas localidades, no início do século XX, competiam entre si para ver quem conseguia chegar primeiro ao centro de determinada cidade. Ganhava quem chegasse primeiro (no menor tempo), independentemente do caminho usado.

Por isso, muitos ciclistas acabavam cortando caminho pulando porteiras, cercas, pedalando em trilhas e estradinhas de terra ou atravessando rios.

Geralmente, essas competições aconteciam durante o inverno, fora da temporada de competição, como uma maneira de os ciclistas manterem a forma. Já que a atividade ajudava bastante na manutenção do condicionamento, pois demandava muito esforço físico dos competidores.

Com o tempo, porém, a modalidade acabou ganhando algumas regras e também competições próprias. Em 1902, surgiu o primeiro Campeonato Francês, organizado por Daniel Gousseau e Géo Lefévre (considerado o pai do Tour de France).

Rapidamente, a modalidade atravessou as fronteiras e chegou à Bélgica, onde foi realizado o primeiro Campeonato Nacional em 1910. Em 1912, ela desembarcou na Suíça, em 1923, chegou a Luxemburgo, em 1929, a Espanha e em 1930, a Itália.

Desde 1940, a UCI  é responsável por organizar as provas de ciclocross — e também foi a instituição que organizou o primeiro Campeonato Mundial de Ciclocross, em 1950, em Paris.

Apesar da popularidade na Europa, a modalidade demorou um pouquinho para atravessar o oceano e apenas chegou aos Estados Unidos em 1970, com a primeira corrida acontecendo em 1975. Porém, foi só ao chegar à Califórnia que o esporte ganhou impulso e mais popularidade.

No Brasil, o esporte ainda é pouco difundido. Porém, aos poucos, vem ganhando espaço no cenário do ciclismo nacional, com algumas provas sendo disputadas em vários estados do país.

Como funciona a modalidade?

Lama, escadas e vários outros desafios compõem um percurso de ciclocross. Mas você sabe como funciona exatamente a modalidade?

Em geral, os circuitos têm entre 2 a 3,5 km de extensão e é obrigatório que, no mínimo, 90% dele seja pedalável. Ao invés de longas subidas, é bem provável encontrar curtas paredes íngremes, que os competidores podem passar a pé, com a bike nas costas.

Além do clima, já que, como vimos, geralmente as provas são disputadas no inverno, os ciclistas precisam enfrentar inúmeros outros desafios, com obstáculos naturais e artificiais que podem chegar a até 40 cm de altura.

O circuito ainda pode apresentar escadarias, paredes íngremes, single tracks, valas, riachos, curvas bem fechadas, caixa de areia, descidas íngremes, funil em ziguezague, pedras, gramados, trechos de calçamento, seções de pista de BMX e até neve!

o que é ciclocross

As corridas são rápidas e duram entre 30 minutos a 1 hora, dependendo da categoria. Mas não se engane pelo tempo, pois, devido à constante alternância de ritmos, a modalidade se torna extremamente desgastante.

Uma vantagem do ciclocross é que, como as provas não exigem trechos muito técnicos, podem ser realizadas em uma grande variedade de terrenos, como parques, estações de esqui, vinhedos, florestas e até em regiões desérticas. Na Europa, muitas provas são disputadas em parques urbanos, facilitando na hora de atrair o público.

São poucas as regras, como: o ciclista pode receber apoio mecânico e também trocar de bike durante a prova (o que é usado como estratégia por alguns competidores, principalmente quando o trajeto está em condições severas, como com excesso de lama).

Os participantes competem por um determinado período mais uma volta final, ao invés de um número de voltas pré-fixado. Vence quem for o primeiro a cruzar a linha de chegada.

Provas

As provas da copa do mundo têm início em setembro com disputas em vários locais do mundo. Entre as competições de mais prestígio, destaque para o Giro D’Itália Ciclocross, realizada pelos organizadores do Giro D’Itália.

Além das tradicionais provas mais curtas, há também algumas poucas competições de longo percurso. A mais famosa é a 3 Peaks Cyclo-Cross, com 61 km de extensão e que acontece anualmente, desde 1959, no Parque Nacional Yorkshire Dales, na Grã-Bretanha. Nos Estados Unidos, há o Ultracross, com 7 etapas com distâncias de até 100 km.

Como é a bike para ciclocross?

Quem olha rapidamente, pode até confundir uma bike de ciclocross com uma bike de estrada. Mas, se você avaliar mais atentamente, notará diferenças significativas, como:

  • pneus mais largos que das bicicletas de estrada (com largura mínima de 30 mm), pressão mais baixa e pequenos cravos que ajudam a dar mais aderência;
  • mais espaço entre o pneu e o quadro/garfo, evitando que a lama fique acumulada;
  • freios a disco ou cantilever, que oferecem mais segurança na pista enlamaçada e molhada;
  • a maioria possui uma transmissão mais leve que das bikes de estrada, sendo que muitas contam com sistema de uma só coroa;
  • geometria menos agressiva que as bikes de estrada, com maior distância dos eixos (oferece mais estabilidade), chainstay maior, top tube mais curto, guidão posicionado um pouco mais para cima e mesa mais curta.

Ciclocross x Gravel: quais as diferenças?

Uma confusão bastante comum é entre as bikes de ciclocross e de gravel.

Em geral, as bikes de gravel são voltadas para um público mais urbano, com uma pegada cicloturística. Essas bicicletas são projetadas pensando no conforto de quem deseja passar algumas horas pedalando em trechos urbanos, ideal para uso em asfalto ou para estradas regulares.

Essa bicicleta pode ser encontrada em versões de carbono ou alumínio, com geometria mais confortável e rápida, além de menor distância entre os eixos, garantindo uma melhor pilotagem. Algumas podem ter suporte para bagageiro dianteiro e traseiro.

Já a bike de ciclocross tem uma geometria diferente, com marchas mais leves, maior espaço para os pneus (que têm cravos), quadros mais rígidos e uma posição de pilotagem mais agressiva.

E aí, curtiu conhecer mais sobre o ciclocross? Aproveite e leia nosso conteúdo sobre Cross-Country (XC) e entenda tudo sobre a modalidade!

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