Solange sempre gostou de fazer atividades externas, por isso, pedalar com o marido se tornou um costume. Eles praticam ciclismo de estrada e fazem parte de um grupo de bike para quem tem baixa audição, onde todos compreendem os sinais manuais que ela emite.

Já a dupla de espanhóis Oscar e Jesus, resolveram sair com o cachorro Nohzar e rodar mais de 18 mil quilômetros, percorrendo vários lugares da Europa. Assim, como Solange, os dois fazem parte de uma rede de ciclistas de bike para quem tem baixa audição. 

O que as duas histórias têm em comum? Mais do que a condição auricular, o que os unem é o amor incondicional pelo pedal. Muitos ciclistas ouvintes não imaginam os desafios enfrentados pelos ciclistas que possuem uma perda auditiva, seja baixa ou profunda. No entanto, eles desafiam o ambiente ao redor, para fazer de suas paixões, uma prática. 

10 Dicas de bike para quem tem baixa audição

A visibilidade inclusiva do ciclismo para todas as pessoas, independente de suas condições, é um compromisso que todos nós, apaixonados pelo esporte, devemos ter. Com o intuito de estimular e promover o uso de bike para quem tem baixa audição ou são surdos, preparamos uma lista completa com dicas e truques para quem está pensando em entrar no pedal. Preparados? 

É importante frisar que o indivíduo surdo ou com perda auditiva é tão capaz quanto qualquer outro ciclista. Porém, existem algumas dicas que podem ajudar na segurança necessária que um esporte como o ciclismo, pede. Confira algumas delas: 

1 – Escolha ruas calmas para começar

Só é possível ganhar confiança no pedal aos poucos. Para quem é iniciante, vale sempre a pena começar primeiro com saídas por ruas menos movimentadas. Assim, será mais fácil se habituar com a movimentação em vias. 

2 – Comece com treinos curtos 

De maneira geral, o ciclismo é um esporte gradual, por isso, foque inicialmente nos treinos curtos. É importante que você tenha primeiro a familiaridade com a bike e a estabilidade no uso dela. 

3 – Procure aumentar a percepção com o ambiente ao redor

Para quem gosta de pedalar sozinho, é importante fazer o possível para estar totalmente consciente de tudo o que acontece em sua volta. Foque no momento presente e evite pensamentos que o distraiam. Outra dica é fazer sempre novos caminhos. A rotina acaba nos deixando menos observadores. 

4 – Tenha bons companheiros de estrada

O pedal em grupo pede sempre uma comunicação mais efetiva, principalmente para quem possui alguma perda auditiva. Certifique-se que todos saibam usar sinais manuais que todos os indivíduos do grupo possam rapidamente reconhecer. 

5 – Reforce os itens de segurança

Um dos equipamentos mais importantes de bike para quem tem baixa audição é sem dúvidas o retrovisor. Com ele você tem uma ampliação maior da visão do espaço, podendo compreender rapidamente o ambiente e a movimentação.

Além claro do uso do capacete, é relevante também a utilização dos demais itens de segurança, como o buzina, colete, faróis e lanternas. Com a ajuda dos itens de segurança, é fundamental ver e ser visto.  

6 – Busque inspirações

Muitos ciclistas não sabem, mas existe o Campeonato Mundial de Ciclismo Surdo, em inglês, World Deaf Cycling Championships. Atletas brasileiros já participaram de algumas das edições. Pesquise mais sobre a competição, acompanhe as provas e inspire-se. 

Aparelhos auditivos no pedal

dicas de bike para quem tem baixa audição
Foto: Reprodução Unsplash

O ciclismo possui desafios únicos para quem faz uso de aparelhos auditivos, seja por conta dos ruídos constantes, ou mesmo pelo agudo devido ao vento. Apresente para o médico o seu desejo em pedalar e esteja aberto para as sugestões que ele possa emitir. 

8 – Defina sempre as melhores configurações do aparelho

Alguns aparelhos já vem com um cancelador de ruídos, principalmente para vento. Procure configurar para a opção de bloqueio mais forte. Certifique-se também em relação à captação dos sons na pista. Normalmente, os dispositivos se concentram na direção de um sinal sonoro, mas ao pedalar, precisamos que ele capte os sons mais ambientes vindo do lado e atrás. 

9 – Escolha o capacete com cuidado

Experimente quantas vezes forem necessárias o novo capacete. Ele deve ser, além de seguro e confortável, adaptável ao seu aparelho auditivo. Alguns modelos acabam empurrando eles para frente, o que pode gerar incômodo e perda na captação dos sons. 

10 – Fique sempe atento às novidades do mercado

A tecnologia empregada nos aparelhos auditivos está em constantes mudanças. Por este motivo, é bom verificar sempre se você pode substituir ou fazer alguma atualização que possa auxiliar a sua performance dentro do ciclismo. 

O uso de placas na bike

Existe uma grande discussão sobre o uso ou não de placas que indiquem a condição auditiva do ciclista. Infelizmente, dentro da mobilidade urbana, não são todas as pessoas que compreendem rapidamente o símbolo composto pela imagem com um ouvido e uma marcação com o x em cima. 

Mas, alguns ciclistas acreditam que sim, a utilização de uma placa informando a audição limitada por meio de texto, pode aumentar o grau de segurança e ampliar a confiança em uma via movimentada.

Por outro lado, algumas pessoas acham que o uso de placas estimula a curiosidade das pessoas ao redor. Para conseguir ler melhor o cartaz, o motorista pode querer se aproximar do ciclista, gerando assim uma situação de risco. 

De qualquer forma, é sempre bom que cada um considere as diferentes opiniões e elabore a própria maneira de pedalar. A sensação de proteção é algo único e pessoal, cabendo apenas ao ciclista decidir o que é melhor para si.

Imdicação de bike para quem tem baixa audição

Existem bikes que foram criadas exclusivamente para pessoas com deficiência. São os casos da handcycle, que é a bike adaptada para cadeirantes e a tandem, a bicicleta dupla, especial para ciclistas com deficiência visual. 

No caso de quem possui alguma perda auditiva não existe uma bike específica. Neste caso, é recomendado sempre focar no processo de adaptação inicial com uma bike de entrada, seja no estilo urbano, MTB ou speed.

Assim, será mais tranquilo o início no pedal e o investimento um pouco menor. Depois, com o passar do tempo e a confiança, é natural a troca por uma bicicleta mais potente se faça necessária. 

A conscientização de todos sobre os desafios vividos pela comunidade de pessoas com baixa audição ou surdez, é a melhor maneira de contribuir para um mundo mais inclusivo. Compartilhe esse post com seus amigos e ajude a difundir o assunto. 

Está sentindo falta de alguma dica? Deixe a sua contribuição aqui. Compartilhe nos nossos comentários e ajude a tirar as dúvidas de outros ciclistas.

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