Até quando ciclistas vão morrer em vias de grandes cidades, estradas e em outros locais, atropelados? No mês de novembro, a morte da jovem cicloativista Marina Harkot trouxe, infelizmente, esse assunto à tona. E traçar os pontos que fazem dela e de tantas outras pessoas, serem vítimas, é um caminho para a busca de soluções.

“Uma ciclista foi atropelada”, “Ciclista morre”, “Uma pessoa que pedalava morreu”. Essas são frases que já se tornaram comuns em manchetes e em redes sociais, avisando sobre o falecimento de alguém que estava pedalando. Isso não é um mero “mais uma pessoa morreu”, mas sim, uma vida que se foi por um motivo trágico.

Neste post, trazemos esse assunto delicado, mas, muito necessário de se discutir, para a busca de soluções, conscientização e sensibilização!

A morte de Marina Harkot

Marina Harkot era cicloativista, colaborava para a Ciclocidade (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo) e estava fazendo doutorado. À frente de vários trabalhos sobre mobilidade urbana, na tese de estudos ela trazia a relação da bike com as mulheres negras da periferia.

Na noite do dia 8 de novembro, Marina voltava no começo da madrugada para casa, de bicicleta. E foi em um trecho da Avenida Paulo VI, na zona oeste de São Paulo, que ela foi atropelada e morta.

A cicloativista estava sem capacete e, depois de ser atingida por detrás, foi arremessada contra o meio fio.

O motorista fugiu sem prestar socorro e, segundo vídeos divulgados na web, apareceu dando risada em um elevador, pouco tempo depois do acidente. No inquérito policial, foi constatado que ele tinha consumido álcool.

A acusação do motorista foi em um primeiro momento, de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Mas, a pedido da defesa de Marina, o inquérito passou a considerar o fato como homicídio doloso, ou seja, quando há a intenção de matar.

Marina é mais uma vida

Ainda em trâmite judicial, a morte de Marina reacende uma discussão que já teve outros tantos ciclistas como vítimas.

Na semana seguinte à morte de Marina, um ciclista identificado em reportagens na web como Lucas. Ele foi atropelado por um caminhão dos Correios, no bairro da Mooca, em São Paulo.

Se você pesquisar brevemente pela web, verá nomes como Marcia Prado, uma cicloativista que também foi morta por atropelamento.

Esses e outros nomes que se tornaram símbolos de ghost bikes por diversas cidades, não podem ser simplesmente mais números em estatísticas de acidentes de trânsito. São vidas que foram cessadas por motivos que fazem das cidades e outros espaços, verdadeiras máquinas violentas.

Qual é a situação do trânsito nas cidades?

Todo o risco e os acidentes que acontecem nas cidades, não ocorrem por um mero descuido, tanto do ciclista quanto de motoristas. Isso vale também para pedestres, motociclistas etc.

A situação de grandes centros urbanos não é das melhores para quem pedala, caminha, anda de moto e de carro, caminhão entre outros veículos. Ruas mal asfaltadas, engenharia de tráfego duvidosa em diversos trechos e espaço de menos para quem mais precisa, contribuem para um resultado caótico no trânsito.

Somado a isso, leis e sistemas que muitas vezes colocam a vítima como culpada por sua própria fatalidade, colocam em cheque a segurança de qualquer pessoa nas vias.

Um dos exemplos que põem a vítima como própria culpada, é o caso de Marina, em que o inquérito apontava que o homicídio era culposo. Só depois de uma ação da Promotoria do Estado de SP, é que o caso foi reclassificado como doloso.

O que é preciso para frear um trânsito violento?

Não há uma fórmula mágica para que o trânsito de grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, entre outras, fique mais “calmo”.

Contudo, há algumas ações que podem sim, trazer mais respeito e menos acidentes nas vias. E elas contemplam todas as pessoas que estão as vias.

Uso de lombadas eletrônicas

As lombadas eletrônicas são uma saída diferente das tradicionais lombadas no asfalto, para conter a velocidade e a irresponsabilidade de alguns motoristas.

De acordo com estudo da empresa de segurança para trânsito Perkons, as lombadas eletrônicas têm índice de 99,9% de maior respeito pelos motoristas. É uma taxa muito alta pata um uso tão baixo em grandes centros urbanos, do modelo de lombada.

Assim, usar mais lombadas eletrônicas é uma forma mais inteligente de colocar menos vidas em risco nas cidades.

Implementação de lombofaixas

As lombadas que colocam motoristas, ciclistas e motociclistas na mesma altura da calçada, trazem uma sensação de mais proximidade com os pedestres. Estes devem ser os mais favorecidos no trânsito, afinal, são os mais vulneráveis a acidentes fatais.

“Subir a rua” até o nível de calçadas e usar as faixas de pedestres nelas, em pontos estratégicos é, assim, um jeito de trazer melhor relação entre todos nas vias. Um meio de preservar a vida com mais seriedade.

Trabalhar mais compartilhamento nas vias

As ciclovias, ciclofaixas e ciclorotas alocadas em pontos estudados nas cidades, trazem mais compartilhamento de vias. Isso ajuda a evitar acidentes, uma vez que com o espaço adequado para cada veículo e pedestres, as “disputas por espaços” tendem a ser menores.

Focar na segurança de todos nas vias

Ruas com a pavimentação boa e bem iluminadas são outros pontos fortes que fazem das vias mais seguras para pedalar, dirigir e caminhar.

Acidentes de trânsito também acontecem por causa de má pavimentação. E sobre a iluminação, quanto mais bem feita, todos se beneficiam, com redução de acidentes, melhor visibilidade e, também, redução de assaltos.

A diminuição de roubos e outros delitos à noite, diminuiu 63% em São Paulo, como indicou a pesquisa da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Assim como um estudo feito em Nova Iorque, mostrou melhoria de 36% nesses casos.

Sempre ter cuidado ao pedalar e dirigir nas vias

Para não ver mais casos como o de Marina Harkot e tantos outros, um dos melhores caminhos é se prevenir. Usar capacete, pedalar pela via direita e não abusar de velocidade e brincadeiras no trânsito, são o mínimo que ciclistas devem fazer.

Para motoristas, respeitar as leis de trânsito e não abusar de velocidade e, não beber álcool ou fazer uso de substâncias antes de dirigir, são básicos.

Enquanto medidas sérias pela gestão pública ou privada não forem feitas em relação a segurança e o respeito de todos nas vias, a direção mais prática para se proteger será sempre da precaução.

Ajude essa mensagem a chegar em mais pessoas e a trazer essa conscientização e sensibilização sobre acidentes. Compartilhe este post em suas redes sociais!

seguro de bike