Cada vez mais o freio a disco tem integrado as bikes, sejam elas MTB ou de estrada. Queridinho da maioria dos ciclistas, esse tipo de freio conta com uma série de vantagens, tornando a frenagem ainda mais segura. 

Se você está pensando em migrar para essa tecnologia, contudo, existem alguns pontos que precisam ser considerados. Nós montamos um guia completo para você entender tudo sobre o freio a disco. Confira! 

Imagem de capa: roadcyclinguk.com

O que é e como funciona o freio a disco para bike? 

O freio a disco é aquele que, durante a frenagem, utiliza discos acoplados à roda. De forma básica, esses discos ficam fixados nos cubos das rodas traseira e dianteira e são uma espécie de base para o processo de frenagem. 

Existe o freio a disco mecânico, no qual o acionamento é feito por um cabo, e hidráulico, com o acionamento feito por óleo. 

Freio a disco mecânico 

Nesse sistema, você irá acionar o freio usando o cabo. Então, o ciclista aciona o manete e o cabo que está preso a pinça de freio é puxado. Dessa forma, ele empurra o pistão o qual, por sua vez, empurra a pastilha de freio contra o disco. Isso causa atrito e faz com que a bike reduza a velocidade. 

O pistão empurra apenas uma das pastilhas e o disco acaba sendo projetado contra a outra pastilha. Então, esse sistema só funcionará com segurança caso esteja bem regulado, senão uma pastilha não entrará em contato com a outra e a frenagem não será tão eficiente. 

Freio a disco hidráulico 

Nesse sistema, o acionamento é feito por meio do óleo. Quando o ciclista aciona o manete, o óleo é empurrado por uma mangueira o que acaba movendo os pistões, que empurram as pastilhas contra o freio. 

O sistema hidráulico conta com 2 pistões que são responsáveis por movimentarem as pastilhas. Existem, contudo, modelos com mais pistões, o que garante um poder ainda maior de frenagem. 

Os freios hidráulicos são mais rápidos, precisos e sensíveis, contudo têm uma manutenção mais complicadas. Já os mecânicos têm uma manutenção mais simples, porém exigem regulagens precisas e periódicas. 

freios a disco

Quais as vantagens do freio a disco? 

Ainda não sabe porque investir no freio a disco? O sistema conta com inúmeras vantagens:  

  • como o freio a disco não entra em contato com o aro, caso o aro empene ou amasse, o freio não irá travar a roda, sendo possível continuar pedalando até consertá-lo; 
  • como não tem contato com o aro, o freio a disco ajuda a aumentar a vida útil do aro; 
  • por não ficar no centro da roda, há menos contato com a água e a lama; 
  • existem diferentes tamanhos de discos, o que significa alterações importantes na força, modulação e no peso, garantindo que o freio irá se adequar a diferentes situações ou preferências do ciclista; 
  • nos aros de carbono das bikes speed, não há problemas de delaminação por alta temperatura; 
  • ainda nas bikes de speed com aro de carbono não há falta de potência de frenagem (o que é corriqueiro em dias de chuva). 

Como escolher o freio a disco para bike? 

Na hora de escolher o freio a disco para bike, é importante considerar alguns pontos, fazendo uma escolha adequada. 

O primeiro é pensar em que tipo de pedal você faz. No MTB, o freio a disco hidráulico é um dos mais usados, principalmente porque em condições adversas (como trilhas, lama, terra etc.), esses freios não perdem a eficiência, trazendo mais segurança no pedal. 

Muitos ciclistas de estrada ainda usam o tradicional freio ferradura – porém, o a disco é muito superior, oferecendo mais segurança, principalmente para as altas velocidades que os ciclistas conseguem alcançar. 

Tamanho do disco 

Ao pesquisar os freios a disco, você deve ter notado que existem diferentes tamanhos de disco. De forma geral, considere que, quanto maior o disco, maior a segurança, já que eles oferecem uma frenagem mais precisa, reduzem as chances de superaquecimento e possuem uma modulação melhor. 

Porém, no caso de pedais em trilhas, um disco grande acaba ficando mais exposto e também pode ser mais difícil de regular. Em caso de empeno, esses discos maiores podem ficar pegando nas pastilhas mais facilmente. 

Então, é preciso avaliar o que você deseja. Se a sua principal preocupação é a segurança, não hesite, e invista em um disco maior. 

Mas, atenção, não se esqueça que cada quadro tem um limite de tamanho de disco. As bikes 29 usam freios com 180 mm na frente e 160 mm atrás. 

Outros pontos importantes a serem considerados são:  

  • peso: ciclistas com mais de 90kg devem usar discos maiores (180mm frente e 160mm atrás); 
  • modalidade: cross country e provas rápidas costumam funcionar melhor com 160mm na frente e atrás. Para aliviar o peso, alguns ciclistas optam até por 140 mm atrás. Já as modalidades com mais descidas devem usar discos de até 200mm na frente; 
  • sua forma de pedalar: ciclistas que amam downhill, devem optar por rotores maiores e mais precisos (180mm – 200mm). Para XCO e de subidas, a economia de peso é um fator diferencial, então vale a pena optar por discos menores. Quem pedala aos finais de semana, sem muita pretensão, pode optar por discos maiores para um pedal mais seguro. 

Pastilhas de freio 

A escolha correta da pastilha de freio é indispensável para uma frenagem adequada e segura. Atualmente, você encontra duas opções: sinterizada (metálica) e orgânica (resinada). 

Sinterizadas 

Sinterização é o processo pelo qual itens metálicos (aço, bronze, cobre etc.) ou semi-metálicos (cerâmica, grafite etc.) são compactados por meio da pressão e submetidos a temperaturas elevadas, ligeiramente menores que a sua temperatura de fusão. Dessa forma, obtém-se uma peça sólida e coerente. 

As pastilhas sinterizadas, portanto, são as que contam com componente metálico na composição e são mais resistentes e duráveis. Elas são mais abrasivas, desprendendo mais calor durante a frenagem, com um coeficiente de fricção maior. 

Entre seus pontos positivos estão: são ótimas para pedais em tempo úmido e dias de chuva e são mais tolerantes a altas temperaturas (em frenagens longas). 

Porém, seus pontos negativos são: ruidosas, espaço de frenagem maior e menor modulação na frenagem. 

Orgânicas 

São as pastilhas de freio que usam resinas sintéticas no lugar dos elementos metálicos. Como não contam com partículas metálicas, elas aquecem menos que as sinterizadas, permitindo uma regularidade nas frenagens prolongadas. 

Além disso, também são menos agressivas com os discos de freio, porém têm uma durabilidade menor. E, após serem instaladas, precisam de um período maior de “queima” (em torno de 20 a 30 freadas fortes) antes de oferecerem toda a sua capacidade. 

Entre seus pontos positivos estão, portanto: menor espaço de frenagem, maior eficiência em frenagens leves e mais silenciosa. E os contras são: baixa durabilidade e pouca eficiência em condições de chuva e lama. 

De modo geral, as pastilhas orgânicas são mais indicadas para modalidades nas quais a exigência máxima dos freios é rara, como cross country, estrada etc. Também é uma boa opção para ciclistas leves. 

Montagem 

De modo geral, os freios a disco podem ter dois tipos de montagem: IS e Post Mount. 

No sistema IS, a pinça é parafusada na lateral e depois é realizada a instalação do freio. Em muitos casos, é preciso de um adaptador de fixação. Os parafusos passam por furos nos suportes do garfo, do quadro ou da suspensão. 

Já no Post Mount, a pinça é parafusada de frente (longitudinal à bicicleta). Dessa forma, as forças de frenagem coincidem com o sentido dos parafusos de fixação, o que força menos o suporte. A instalação é mais fácil porque os furos da pinça são ovalados, sendo mais simples posicionar a pinça centralizada, sem o uso de arruelas. 

Porém, nesse sistema, as roscas nas quais os parafusos se fixam ficam no quadro, na suspensão ou no garfo e podem espanar caso sejam apertadas com muita força. 

Óleo 

No freio hidráulico, é importante escolher bem o óleo mineral. Essa escolha depende muito das preferências dos ciclistas. 

O fluído DOT tem um ponto de ebulição maior. Por isso, transmite menos calor. Porém, ele é bastante corrosivo e pode estragar vários componentes da bike (até a pintura), além de ter o risco de causar irritações na pele. Esse óleo ainda tem maior necessidade de troca, porque absorve mais água. 

O óleo mineral tem mais chances de sofrer variações na temperatura, dilatando mais sensivelmente que o DOT. Mas ele não é tóxico e nem corrosivo e também não absorve água. 

Pronto, agora você já sabe tudo sobre o freio a disco – e como escolher o ideal para a sua bike! Gostou dessas dicas? Ainda tem alguma dúvida? É só deixar um comentário pra gente! 

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