Quem gosta de pedalar e está desempregado ou é autônomo, acaba vendo a opção de entregador de bike como uma forma de gerar renda – ou de complementá-la. Diferentes aplicativos oferecem essa alternativa, já que a bicicleta costuma ser mais rápida no trânsito das cidades e ainda não polui o ambiente.

Apesar disso, a “profissão” é cheia de obstáculos e é preciso conhecer muito bem como ela funciona antes de tomar essa decisão. E para quem é usuário desses apps e deseja contribuir com a vida dos ciclistas entregadores, existem algumas alternativas.

Siga conosco e entenda melhor!

Quanto ganha um entregador de bike?

Os ganhos de um entregador de bike são muito variáveis, afinal, dependerá da quantidade de entregas que você conseguirá fazer por dia e por mês. Além, é claro, do aplicativo para o qual você fará as entregas, já que cada um paga uma quantia por entrega.

De acordo com um levantamento da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, o salário mensal dos ciclistas entregadores é de R$ 936, pedalando cerca de 12 horas diárias, com uma média de 10 entregas por dia a R$ 5 cada.

A pesquisa ainda mostrou que 6 em cada 10 ciclistas trabalham todos os dias, sem folga semanal.

Porém, uma reportagem da Uol, levantou ganhos diferentes. Os ciclistas entrevistados ganhavam até R$ 400 por dia (em dias ruins, a média era de R$ 100).

Já deu para notar que não existe uma média, não é? Normalmente, quanto mais variedade de aplicativos, maiores os ganhos dos ciclistas, assim como aqueles que pedalam de final de semana costumam ter um rendimento maior, já que nesses dias há mais pedidos nos apps.

Como trabalhar de entregador de bike?

Para se tornar um entregador de bike você não precisa nem mesmo ter uma bicicleta. Já existem empresas especializadas que realizam o aluguel do equipamento. Porém, é fundamental ter costume em pedalar, já que a rotina de trabalho exige bastante preparo físico.

Esse tipo de demanda tem crescido ultimamente, com mais aplicativos abrindo espaço para os ciclistas entregadores.

Vantagens

Afinal, há uma série de vantagens, como: mais agilidade nas entregas (evitando o engarrafamento e o trânsito), economia (já que não há gastos com combustível, seguros e outras despesas relacionadas a manutenção de um veículo), baixo investimento inicial (só é preciso ter uma bike), sustentabilidade (pois as bicicletas não poluem) e a prática de atividade física.

Escolha do app

Para quem deseja iniciar, o primeiro passo é conferir quais aplicativos oferecem essa modalidade na sua cidade. Os mais usados são o iFood, Uber Eats e Rappi. Analise o pagamento, o que o aplicativo oferece aos ciclistas e como é o funcionamento do trabalho.

Bicicleta

Depois de fazer o cadastro, vale a pena pensar em equipar a sua bicicleta com um suporte para celular, fixado no guidão. Assim você não terá de pedalar e segurar o aparelho para verificar o GPS, melhorando a sua segurança e controle da bike. Outra dica é assinar um seguro para a bicicleta.

Equipamentos de proteção

Quando for pedalar, não se esqueça dos acessórios básicos de segurança, como capacete, óculos de ciclismo, sinalizadores e lanternas. Antes de sair às ruas, reforce a segurança da sua bicicleta, verificando os pneus e os freios.

Se for possível, prefira pedalar pelas ciclovias quando for fazer as entregas. E, claro, mantenha a atenção ao entorno, principalmente com buracos, carros com portas abertas e pedestres.

Lembre-se que, uma parte dos seus ganhos, deverão ser usados para alimentação e para manutenções na bicicleta, como pneus furados, que podem ocorrer.

Como é trabalhar de entregador de bike?

entregador de bike

O IBGE e a Aliança Bike fizeram um levantamento do perfil do entregador de bike:

  • 75% têm até 27 anos e trabalham até 12 horas por dia;
  • 59% começaram a trabalhar com entregas porque estavam desempregados;
  • 57% trabalham 7 dias por semana;
  • 88% dizem que a entrega com a bike é a sua única fonte de renda;
  • 30% pedalam mais de 50 km por dia.

As reportagens sobre o assunto trazem um pouco da visão do entregador de bike, mostrando como é o dia a dia desse profissional.

O primeiro ponto que muitos relatam é em relação à concentração dos pedidos. Os ciclistas costumam ficar parados por um período relativamente longo, devido à baixa demanda fora do horário de pico, que ocorre, geralmente, próximo a hora do almoço e do jantar.

Como alguns ciclistas moram longe dos restaurantes, não compensa voltar para casa para depois retornar à jornada e acabam ficando o dia todo à espera dos pedidos.

Em algumas cidades, como São Paulo, já existem bases para esses ciclistas, como na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Theatro Municipal. Além do centro, também há bases no Largo da Batata, em Pinheiros, na Praça Oswaldo Cruz, no início da Avenida Paulista e na Rua Mariana Amorim Carrão, no Itaim Bibi.

Nesses locais, os ciclistas têm acesso à água e sanitários e costumam aguardar até o horário de pico para começarem as entregas.

Como posso apoiar os ciclistas entregadores?

A precarização do trabalho é um dos principais entraves para quem deseja ser entregador de bike. Ainda que a opção tenha vantagens, como o fato de você não ter patrão e poder fazer o seu próprio horário, muitos aplicativos pagam valores baixos por entrega e o ciclista precisa arcar com todos os riscos inerentes do serviço.

Hoje já existem algumas iniciativas que pretendem modificar esse quadro, como do Aromeiazeiro, um instituto fundado em 2011 em São Paulo que atua com projetos para transformação social, redução das desigualdades e consolidação de cidades mais sustentáveis a partir da bicicleta.

Entre as suas diferentes ações está o Delivery Justo, com iniciativas para conectar negócios a entregadores de bairro. A ideia é trazer benefícios para os dois lados. Os comércios locais ganham por disporem de entregadores sem terem de pagar as altas taxas dos aplicativos. E os entregadores encontram opções mais justas de trabalho.

Além dessa iniciativa, se você tem um comércio e deseja contar com os ciclistas entregadores, poderá buscar meios mais justos de empregabilidade, pagando mais pelas entregas e oferecendo mais assistência aos trabalhadores.

E quem usa os aplicativos de entrega também pode ser mais humano com esses trabalhadores, lembrando que a rotina deles não é nada fácil e, por isso mesmo, sendo gentil, oferecendo água e gorjetas e evitando descontar no entregador os erros cometidos pela empresa na qual você realizou seu pedido.

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